Setor de máquinas deve ser mais atingido

Setor de máquinas deve ser mais atingido

Economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, que fez o levantamento, afirma que tarifas atingem itens industrializados

Estudo mostra que madeira e móveis e borracha e pneus também serão afetados.

Estudo da consultoria MB Associados aponta que o setor mais afetado pelo novo tarifaço do governo americano é o de máquinas e equipamentos, cujas vendas somaram US$ 3,316 bilhões para os EUA no ano passado. Em seguida, aparecem os setores de madeira e móveis (US$ 1,299 bilhão) e borracha e pneus (US$ 569,4 milhões).

“Basicamente, tudo o que está sendo afetado é produto industrializado. Máquinas e equipamentos estão no cerne disso. E isso é a cabeça do (Donald) Trump de que, se colocar a tarifa, vai trazer a indústria para os Estados Unidos”, afirma Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados. “Não vai acontecer e não está acontecendo. Mas ele sempre pensou assim.”

De acordo com o Observatório Setorial Territorial do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), havia 510 mil pessoas empregadas no setor de máquinas em 16.939 empresas ativas. A remuneração média no segmento é de R$ 5.075,92. Segundo o Sebrae, os Estados com maior número de empregados na indústria de máquinas e equipamentos em 2025 eram São Paulo (243.869), Paraná (46.097), e Amazonas (25.293).

AGRO. Levantamento do Insper Agro Global mostrou que 66,8% dos produtos do agronegócio exportados no ano passado para os EUA ficaram de fora do tarifaço anunciado anteontem.

“O tarifaço acabou sendo um pouco diminuído porque os Estados Unidos anunciaram a exclusão de mais ou menos 2 mil produtos. E boa parte são produtos do agro que exportamos, como carne, suco de laranja e café, que acabaram ficando isentos”, afirma Leandro Gilio, professor do Insper Agro Global. “Os Estados Unidos utilizaram essa lista de exceções porque são produtos que acabam impactando o mercado interno e que eles não conseguem produzir, o que talvez impactaria muito a inflação local.”

No ano passado, por exemplo, óleos bruto de petróleo – isento na nova decisão do governo Trump – foi o principal item exportado pelo Brasil para os Estados Unidos. As vendas somaram US$ 4,701 bilhões.

Também não entraram na nova lista aeronaves e café não torrado, que são o terceiro e o quarto itens mais vendidos pelo Brasil para os Estados Unidos, respectivamente. Em 2025, as vendas de aeronaves somaram US$ 3 bilhões e as de café, US$ 1,9 bilhão.

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