Novo tarifaço atinge 18% das vendas do Brasil aos EUA
Governo prevê ajuda aos setores mais afetados pela medida
A taxa de 25% imposta pela gestão Trump às exportações do Brasil deve atingir cerca de 18% das vendas do País ao mercado americano, segundo o governo brasileiro. Com base em dados de 2024, o impacto estimado é de US$ 7,4 bilhões.
Se considerada a pauta exportadora de 2025, o número cai para 15% das vendas (US$ 5,8 bilhões). O governo prevê ajuda aos setores mais afetados, entre eles os de madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, produtos cerâmicos, calçados e açúcar. O vice-presidente Geraldo Alckmin qualificou o tarifaço como medida “injusta e descabida” e disse que, “no momento adequado”, o Brasil poderá aplicar a Lei de Reciprocidade Econômica. A lista de produtos isentos de taxa tem 2.126 itens, entre os quais carne bovina, café e laranja.
O novo pacote de tarifas anunciado pelos Estados Unidos deve atingir cerca de 18% das exportações brasileiras destinadas ao mercado americano, o equivalente a US$ 7,4 bilhões, considerando os embarques realizados em 2024. O dado foi divulgado ontem pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Márcio Elias Rosa.
Se considerada a pauta exportadora de 2025, segundo a pasta, a participação dos setores alcançados pela sobretaxa cai para 15% das vendas aos EUA, cerca de US$ 5,8 bilhões.
De acordo com o ministro, por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo federal dará prioridade ao atendimento dos setores mais afetados pela medida, entre eles os de madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, produtos cerâmicos, calçados e açúcar. “Os setores mais atingidos poderão contar
Seletividade
Tarifas não atingiram itens que poderiam resultar em aumento de inflação nos EUA, como carne e café
com a ajuda do governo federal de diferentes formas. Uma delas é apoiar a diversificação de mercados”, disse Márcio Elias, em entrevista para comentar as medidas.
O vice-presidente Geraldo Alckmin qualificou a decisão do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) de sobretaxar os produtos brasileiros como uma medida “injusta e descabida”. Segundo ele, nenhum dos argumentos apresentados pelo USTR como justificativa é plausível.
“Os argumentos partem de uma base totalmente falsa, não têm justificativa”, afirmou. E acrescentou: “Nós temos uma lei, que é a Lei da Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional. E o governo, no momento adequado, saberá como implementá-la” (mais informações na pág. B4).
Com a lista de setores sobretaxados, o órgão de comércio americano publicou uma relação com mais de 2 mil produtos da pauta de exportações brasileiras que estarão isentos da taxação. Entre eles estão carne bovina, café e suco de laranja (mais informações na pág. B2).
Sobre as exceções, a justificativa do governo dos EUA foi de que se trata de matérias-primas cuja taxação poderia provocar indisponibilidade de oferta doméstica e causar “perturbações” na economia caso fossem submetidas à nova tarifa.
Márcio Elias disse que o governo deve seguir negociando com os EUA. “O Brasil não sai da mesa de negociação. Não abandona a mesa de negociação porque acredita no multilateralismo”, disse.
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