Exportadores devem diversificar mercados e usar ‘crédito soberano’
Quase um ano após o choque tarifário dos Estados Unidos, empresas brasileiras diversificaram mercados, ajustaram contratos e contaram com linhas de crédito subsidiadas pelo governo para mitigar as perdas, enquanto investidores passaram a precificar com mais rigor a dependência das companhias do mercado americano. As empresa passaram a lidar com um ambiente internacional imprevisível e mais sensível, cenário que não é exclusivo ao Brasil e traz um entrave às decisões de longo prazo.
Com uma nova ameaça tarifária à espreita, o mercado tem mais dispositivos à mão em caso da confirmação da taxa de 25% sobre produtos brasileiros amanhã, e deve manter a postura de diversificação de novos mercados e diálogo constante com outros compradores internacionais. Há, porém, receios de mais enfraquecimento da competitividade brasileira, que ainda sofre os efeitos das primeiras tarifas americanas.
Mesmo que o País encontre novos mercados, os EUA seguem como destino fundamental para as exportações brasileiras, o que corrobora os apelos do governo e das empresas que podem ter os negócios afetados. Hoje, é o segundo principal parceiro comercial em bens e maior destino das exportações industriais, atrás apenas da China. O primeiro tarifaço ainda reverbera negativamente nas relações entre os países como um todo – e um adicional tende a deteriorar ainda mais esses vínculos.
Pesquisa da Amcham Brasil, com dados desde o primeiro semestre de 1997, mostra que a participação dos EUA no comércio exterior brasileiro atingiu a mínima histórica no primeiro semestre deste ano, refletindo os efeitos das imposições comerciais. Os EUA responderam por 9,4% das exportações brasileiras e por 11,1% na corrente de comércio (exportações + importações) com o País, enquanto China (21,9%) e União Europeia (12,8%) despontam à frente das exportações.
Efeito tarifaço Participação dos EUA no comércio exterior do Brasil atingiu a mínima histórica no primeiro semestre
O choque comercial de 2025 ainda levou o governo a fornecer auxílios para o setor exportado, com o Plano Brasil Soberano. Especialistas apontam que novas tarifas devem ampliar a atuação do programa, que tem liberação de crédito do BNDES para proteger empresas exportadoras e setores afetados. “Há, também, a expectativa de redução ou flexibilização dos critérios para o financiamento dessas empresas”, diz Verônica Cardoso, diretora da consultoria LCA.
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