Indústria ainda tem limites para adoção da IA, diz CEO da Ford
Éfato consumado que executar planilha de Excel é uma ação que pode ser facilmente delegada à inteligência artificial, mas a abragência da IA tem limites, ao menos por enquanto. Essa é a leitura de Jim Farley, CEO da Ford, que afirmou que a primeira onda da IA deve atingir mais trabalhos administrativos, como finanças, call centers e programação básica.
Já nas profissões mais técnicas, a tecnologia deve funcionar mais como “companheira”. A Ford já tem mais de 10 mil trabalhadores especializados nos EUA e o trabalho deles está mudando: além da manutenção tradicional, eles lidam com robôs, softwares e equipamentos automatizados. Afinal, alguém precisa consertar o robô quando ele para de colaborar.
As fábricas também estão ficando mais complexas. Operações ligadas a baterias e veículos elétricos exigem conhecimentos de mecânica, software, automação e até dinâmica de fluidos. Para Farley, a divisão entre engenheiros e profissionais técnicos está ficando cada vez mais difícil de definir. A tecnologia já começa a aparecer nas concessionárias. A Ford está desenvolvendo sistemas de IA para orientar o profissional passo a passo, quase um GPS para mecânicos.
A ideia é deixar a máquina cuidar da parte cansativa enquanto os trabalhadores ficam com tarefas mais complexas.
E há uma razão prática para isso: falta mão de obra qualificada. Um relatório da Alliance for America’s Skilled Trades – uma coalizão empresarial americana que busca reduzir a escassez de profissionais qualificados em ofícios técnicos e manuais – estima que os Estados Unidos precisarão preencher cerca de 1,7 milhão de vagas técnicas por ano até 2035. Os programas de formação, porém, preparam apenas 55 trabalhadores para cada 100 necessários.
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