Durigan diz que MP do Imposto Seletivo ainda está em negociação

Durigan diz que MP do Imposto Seletivo ainda está em negociação

Oposição acusa Palácio do Planalto de postergar anúncio de texto para evitar desgaste durante as eleições

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse ontem que o envio ao Congresso Nacional de medida provisória que cria o Imposto Seletivo (IS) ainda está em tratativas. A ideia inicial era ter editado a MP em setembro ou, no mais tardar, até o início deste mês, já que o tributo está sujeito à regra da noventena. Essa regra estabelece o prazo de 90 dias entre a publicação e o início da cobrança, previsto para 1.º de janeiro de 2027. “Esse é um tema que eu vou tratar na sequência”, afirmou Durigan a jornalistas, após fazer um balanço de outra MP, a que proibiu a operação das bets no País.

Também conhecido como “imposto do pecado”, esse é um tributo federal pensado para encarecer bens e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. Ele deverá atingir segmentos como o de tabaco, bebidas alcoólicas, refrigerantes e similares, entre outros. A lista final ainda não foi publicada. Segundo a equipe econômica, a implementação do IS não deverá representar alta da carga tributária para a maioria dos setores.

O Seletivo possui caráter extrafiscal, pois busca desincentivar o consumo e provocar mudanças de comportamento, e conta com apoio técnico na área de saúde pública, mas é altamente impopular entre parte dos consumidores. Setores afetados e alguns tributaristas falam em potencial altamente arrecadatório e sustentam que ele poderá acabar estimulando a pirataria e o mercado ilegal.

Durante a discussão da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da reforma tributária, setores atuaram para evitar ou, ao menos, driblar a incidência do imposto, como foi o caso do setor de alimentos ultraprocessados, cujo lobby garantiu sua exclusão da lista de produtos sujeitos à incidência do IS.

DEBATE ELEITORAL.

Como mostrou o Estadão/Broadcast, o governo federal costura um acordo com os setores que serão afetados pelo IS na reforma tributária para evitar um “ruído político” que ameace a implementação das mudanças. Nos bastidores, existe uma preocupação de que qualquer “deslize” sobre a reforma tributária dê ainda mais munição a Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, que vem defendendo o adiamento do tributo.

No fim de setembro, a expresidente da Caixa Daniella Marques, coordenadora do plano econômico do candidato do PL à Presidência, chegou a dizer que a orientação era revogar “todos os impostos” criados ou elevados durante a gestão de Fernando Haddad à frente do Ministério da Fazenda.

As alíquotas do IS, da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS, de competência da União) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS, que será administrado por Estados e municípios) só deverão ser conhecidas após as eleições. O governo afirma que não houve adiamento de etapas nem alteração do calendário originalmente previsto, enquanto a oposição acusa o Palácio do Planalto de estar “escondendo” qual será a alíquota geral do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) Dual – composto pela CBS e pelo IBS –, dizendo que ela será “a maior do mundo”. •

Foco ‘Imposto do pecado’ vai encarecer bens e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente

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