Empresários brasileiros preveem que EUA vão impor novas tarifas ao País

Empresários brasileiros preveem que EUA vão impor novas tarifas ao País

Eles dizem ter recebido informação de interlocutores americanos. Os EUA acusam o Brasil de práticas ilegais.

Os Estados Unidos devem publicar ainda nesta semana o resultado preliminar de investigação aberta em 2025 contra o Brasil sobre supostas “práticas desleais” no comércio entre os dois países, relataram empresários brasileiros ao Estadão/Broadcast, a partir de conversas com interlocutores americanos. Se confirmada, a medida virá na esteira da classificação do PCC e do Comando Vermelho como grupos terroristas, anunciada no fim de maio pelo presidente Donald Trump.

Os EUA acusam o Brasil de adotar práticas ilegais em comércio digital, serviços de pagamento eletrônico – como o Pix –, tarifas preferenciais, proteção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais, como o desmatamento ilegal. A investigação envolve até o comércio da Rua 25 de Março, em São Paulo. O resultado dessa investigação deverá abrir caminho para novas tarifas sobre produtos importados brasileiros, bem como demais medidas retaliatórias.

O tarifaço teria como base investigação aberta pelos EUA amparada na chamada Seção 301, que integra a Lei de Comércio do país, de 1974. Por essa legislação, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) tem poder para investigar práticas que, supostamente, prejudicam o comércio internacional americano e determinar se há ou não irregularidades.

No setor do agronegócio, a expectativa inicial é de que produtos como carne, café e suco de laranja poderiam ficar livres da medida, sobretudo por serem considerados produtos “sensíveis” à inflação doméstica americana. Já o etanol não teria a mesma sorte. Segundo dados do setor, 45% do exportado pelo agronegócio brasileiro ao mercado americano ainda segue com tarifa adicional. Os principais produtos são pescados, sebo bovino, mel, café solúvel, uvas e o etanol.

Perspectiva No agro, expectativa é de que produtos como carne, café e suco de laranja fiquem livres

Após a publicação do resultado da investigação, o USTR deve abrir prazos para comentários públicos e também provável espaço para “notificação de correção (remedy notice)” proposta pelos EUA. Mas há dúvidas no setor privado se eventuais medidas retaliatórias dos EUA em virtude da 301 já seriam impostas antes do prazo final para correção. ‘PREOCUPAÇÃO’. No dia 7 de maio, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump haviam acertado uma espécie de “prorrogação” nas negociações, depois de uma visita técnica de autoridades diplomáticas brasileiras a Washington, a fim de fazer a última defesa do País na investigação da Seção 301.

Interlocutores do governo brasileiro disseram não ter sido comunicados, oficialmente, de qualquer mudança nas tarifas ou das investigações da Seção 301. A equipe de política externa do Brasil avalia ainda que fez bem o seu trabalho, prestando todos os esclarecimentos ao longo da investigação, e que o momento pede “cautela”.

Em entrevista ao canal SBT News, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse ontem que o governo está preocupado com a possibilidade de uma nova rodada de tarifas. “Tem uma preocupação do nosso governo com eventuais novas tarifas que podem ser impostas de maneira unilateral, muitas vezes não considerando o que levamos de bons argumentos para os americanos”, disse o ministro.

Fonte: O Estado de São Paulo – B3 – 02/06/2026