Empresas vão reagir de diferentes formas
A aprovação do fim da escala 6×1 pode elevar o custo do trabalho para as empresas, pressionar a atividade econômica e ampliar a demanda por compensações do governo, em um cenário de deterioração fiscal, diz o professor de Políticas Públicas e coordenador do Centro de Microeconomia Aplicada da FGV, André Portela.
Para ele, o cenário adiciona mais incerteza sobre o quadro econômico num futuro próximo. Quais os impactos da mudança na escala? De imediato, a aprovação pode causar um aumento do custo da hora efetivamente trabalhada dos empregados formais. A maneira como as firmas vão se ajustar a isso deve afetar o desempenho econômico do País no futuro próximo. Já existe um problema fiscal. Esse cenário, de problemas fiscais com a aprovação da PEC que aumenta os custos do trabalho, faz com que algum ajuste ocorra no futuro.
Obviamente, as empresas vão pressionar a política para serem compensadas por isso. A preocupação com o aumento nos custos para as empresas existe, mas até onde isso pode ser uma realidade para o mercado de trabalho? Para entender por que há um aumento do custo do trabalho, a PEC tem três medidas conjuntamente. A redução da jornada laboral semanal de 44 para 40 horas, a adição de um dia a mais de descanso remunerado e o terceiro elemento, que é a irredutibilidade salarial. A combinação dessas três medidas faz Sob pressão Especialista vê pressão política das empresas para obter compensação, agravando quadro fiscal com que, no curto prazo, aumente o custo unitário do trabalho. Obviamente, esses impactos no custo do trabalho serão distribuídos diferentemente entre empresas, setores, regiões e outros fatores.
E as empresas devem reagir de diversas maneiras. Por exemplo, algumas terão capacidade de repassar seus custos aos preços. Outras que operam em mercados mais competitivos e não têm tanta margem para repassar aumento de custos aos preços poderão reagir reduzindo escala e reduzindo volume de produção. A longo prazo, esse aumento de custo faz com que elas possam optar por substituir essa mão de obra por uma mais barata ou pela troca de equipamentos e capital.
Como também podem recorrer a subterfúgios do tipo informalidade ou por contratações PJ, formando a chamada pejotização.
FONTE: O Estado de S. Paulo. / 16 Oct 2026 – André Portela
