Prévia do PIB, IBC-Br tem alta de 0,34% em agosto
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBCBr), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), avançou 0,34% em agosto em relação a julho, na série com ajuste sazonal. Em julho, o indicador havia caído 0,31% (revisado, de -0,22%).
A alta do indicador em agosto foi mais intensa do que a mediana da pesquisa Projeções Broadcast, que previa avanço de 0,12% do IBC-Br. As estimativas do mercado variavam de queda de 0,30% a alta de 0,70%.
Na avaliação da XP, o indicador apresentou uma recuperação modesta, concentrada na indústria. Para a corretora, o dado de agosto não muda a estimativa de que o PIB deve apresentar recuo de 0,2% no terceiro trimestre ante o segundo trimestre, impactado pelo efeito contracionista das condições monetárias apertadas e pelo endividamento elevado das famílias.
Em agosto, o índice ex-agropecuária, que exclui os efeitos do setor, subiu 0,33%, após queda de 0,30% no mês anterior (revisado, de -0,13%). O indicador próprio da agropecuária, por outro lado, recuou 1,76%, depois de ter caído 0,40% (revisado, de -1,15%) em julho.
O índice de serviços subiu 0,24% após ter caído 0,18% no mês anterior (revisado, de -0,01%); o da indústria avançou 0,87%, após ter recuado 0,64% (revisado de -0,40%) em julho; e o de impostos – equivalente à rubrica de impostos líquidos sobre produtos do PIB – subiu 0,11%, após cair 0,18% (revisado de -0,16%) em julho.
SINAIS DE DESACELERAÇÃO.
Na comparação com agosto de 2025, o IBC-Br total cresceu 1,21% na série sem ajuste sazonal – acima da mediana da pesquisa Projeções Broadcast, de 1,00%. As estimativas do mercado iam de queda de 0,20% a aumento de 1,80%.
Apesar da surpresa positiva, o economista Matheus Pizzani, do PicPay, diz que o IBC-Br de agosto não trouxe uma alta que possa ser considerada elevada para os padrões históricos da série. Para ele, uma justificativa potencial para o dado é que, embora serviços e comércio não tenham apresentado bons desempenhos nas medições individuais, em conjunto mostraram maior grau de coesão do que nos meses anteriores.
“Enquanto subgrupos mais sensíveis a fatores cíclicos registraram queda, segmentos mais responsivos ao nível de renda disponível dos agentes, impulsionado nos últimos meses pela queda da inflação de itens essenciais como os alimentos, avançaram”, disse o economista, para quem o fato de o setor agropecuário ter recuado 1,8% em agosto sugere concentração do crescimento nos segmentos da atividade ligados à economia doméstica.
Já a Terra Investimentos destacou que, a despeito da alta em agosto, a média móvel de 3 meses do indicador segue em queda, reforçando os sinais de desaceleração da atividade econômica. “O desempenho foi predominantemente positivo em agosto”, diz relatório assinado pelos economistas João Maurício Rosal, Homero Guizzo e Luís Bettoni.
Na comparação com agosto de 2025, o índice ex-agropecuária cresceu 0,91%, após alta de mesma magnitude no mês anterior (revisado de 0,99%). O índice da agropecuária subiu 5,76%, após alta de 4,77% (revisado de 3,69%) em julho.
ACUMULADO. No acumulado de janeiro a agosto, o indicador cresce 1,55% frente ao mesmo período de 2025. O índice ex-agropecuária avança 1,56%, enquanto o indicador do agro sobe 2,33%. O índice da indústria aumenta 0,62%, o de serviços sobe 2,01% e o de impostos avança 1,05%.
Em 12 meses, o IBC-Br acumula alta de 1,61% na série sem ajuste sazonal, ligeira aceleração ante o mesmo período até julho, quando subiu 1,53%.
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