Pela 1ª vez, SC ultrapassa SP e se torna o Estado mais competitivo
Santa Catarina ultrapassou São Paulo e passou a ocupar a primeira posição no Ranking de Competitividade dos Estados 2026, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP). É a melhor colocação do Estado nas 15 edições do levantamento. São Paulo, líder nos últimos 14 anos, caiu para o segundo lugar.
O desempenho catarinense é sustentado por resultados consistentes em diferentes áreas, especialmente segurança pública, capital humano e potencial de mercado. Já São Paulo mantém a liderança em pilares como infraestrutura, educação e sustentabilidade ambiental.
O ranking avalia as 27 unidades da Federação com base em 100 indicadores distribuídos em dez pilares, entre eles infraestrutura, segurança pública, educação, solidez fiscal, eficiência da máquina pública, capital humano, inovação e potencial de mercado.
O Paraná aparece em terceiro lugar, seguido por Rio Grande do Sul e Espírito Santo. O Ceará, em 11.º, é o Estado mais bem posicionado das regiões Norte e Nordeste. O Rio de Janeiro ocupa a 13.ª colocação e é o único Estado do Sul e Sudeste fora do grupo dos dez primeiros.
Apesar da persistente desigualdade regional, o levantamento aponta melhora da competitividade brasileira no último ano. “Observamos uma melhoria significativa de mais de 30% em sustentabilidade ambiental e um avanço em potencial
Ponto de atenção Segurança foi um dos principais pontos de deterioração, com piora de 9,3% na mediana dos Estados
de mercado, além de uma melhora de 3% no pilar de educação”, afirma Tadeu Barros, diretor-presidente do CLP.
O resultado, no entanto, não foi homogêneo. Segundo Barros, segurança pública foi um dos principais pontos de deterioração, com piora de 9,3% na mediana da nota bruta dos Estados. “O cenário de maior complexidade do tecido social tem gerado um aumento na percepção de insegurança”, diz. Eficiência da máquina pública e solidez fiscal também registraram queda.
NOVA LIDERANÇA. A ascensão de Santa Catarina consolida uma trajetória de avanço em diferentes áreas. O Estado mantém a liderança em segurança pública, sustentabilidade social, potencial de mercado e capital humano e avançou de 10.º para o terceiro lugar em eficiência da máquina pública.
Para Renato Eliseu Costa, doutor em políticas públicas e professor do Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Esalq/USP, a principal diferença em relação a São Paulo é a consistência dos resultados. “São Paulo continua tendo picos de excelência, mas Santa Catarina apresenta uma competitividade mais sistêmica e com menos gargalos”, diz Costa.
O Paraná, terceiro colocado, aparece entre os dez primeiros em todos os pilares. O Rio Grande do Sul avançou uma posição e chegou ao quarto lugar. “Atingir essa marca mesmo após enfrentar as adversidades causadas pelas enchentes é um feito memorável”, afirma Barros.
O Piauí também alcançou sua melhor posição histórica, ao subir duas colocações e chegar ao 19.º lugar. O Estado avançou em solidez fiscal e ocupa a terceira posição no pilar de potencial de mercado. Para Barros, o desempenho ilustra uma mudança gradual no Nordeste. “Estamos acompanhando uma revolução do ponto de vista da educação e dos avanços tecnológicos.”
DESIGUALDADE REGIONAL. As dez primeiras posições continuam concentradas nos Estados do Sul, Sudeste e CentroOeste. Para Costa, a disparidade é resultado de um processo histórico de concentração de infraestrutura, mercados consumidores, industrialização, universidades, centros de pesquisa e serviços especializados. “Esses ativos se reforçam mutuamente”, afirma. Capital humano favorece a inovação, que aumenta a produtividade e, por sua vez, amplia salários, arrecadação e a capacidade de investimento público.
O ranking também indica que o ambiente macroeconômico afeta os Estados de forma desigual. Juros elevados encarecem o crédito e pressionam empresas e governos, mas Estados com maior espaço fiscal, mercados de trabalho mais formalizados e economias diversificadas tendem a absorver melhor esses choques. “Competitividade não é sinônimo de riqueza”, afirma Costa. “Um Estado pode ter renda elevada e, ainda assim, apresentar gargalos fiscais, sociais ou institucionais.”
RIO. Embora tenha avançado duas posições, o Rio de Janeiro chama atenção por ser o único Estado do Sul e Sudeste fora do top 10. O principal problema está na área fiscal: o Estado ocupa a 23.ª posição no pilar de solidez fiscal. Neste mês, o Rio deixou o Regime de Recuperação Fiscal para aderir ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), que prevê a renegociação de sua dívida com a União, superior a R$ 210 bilhões.
“Quando uma unidade federativa opera por longo período sob forte restrição fiscal, isso compromete a capacidade de investimento, a manutenção da infraestrutura e a previsibilidade administrativa”, afirma Costa.
FONTE:
