Recuo do IBC-Br reforça freio na economia
Econômica (IBC-Br) do Banco Central em junho reforçou, para a maioria dos analistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast,a leitura de que a economia entrou em uma fase de desaceleração em 2026, com perda de dinamismo mais visível nos componentes domésticos, em especial na indústria e, aos poucos, nos serviços, em um ambiente marcado por condições financeiras restritivas. O desempenho relativamente melhor segue concentrado na agropecuária e em vetores ligados ao setor externo, o que deixa o crescimento mais dependente desses segmentos.
Em junho, o IBC-Br, considerado uma “prévia” do PIB, caiu 0,64% ante maio, na série com ajuste sazonal, uma queda mais intensa do que a mediana da pesquisa Projeções Broadcast, de recuo de 0,50% (estimativas de -1,20% a 0,40%). Na comparação com junho de 2025, o índice cresceu 2,35% na série sem ajuste sazonal, acima da mediana de 2,20%. Na abertura do índice, serviços recuaram 0,52% no mês, enquanto a agropecuária avançou 0,96%.
Para André Valério, economista sênior do Inter, o dado confirmou a trajetória de moderação da atividade e uma economia mais dependente do setor externo, com destaque para a agropecuária e para a exploração de petróleo. Ele afirma que o IBC-Br de junho sugere avanço de 0,2% do PIB no segundo trimestre ante o primeiro, abaixo da estimativa do banco.
Na MAG Investimentos, o economista Rafael Rondinelli avalia que o resultado confirma a desaceleração esperada da atividade econômica no segundo trimestre, motivada pela política monetária restritiva adotada pelo BC. Ele ainda projeta um ponto de partida desfavorável para a dinâmica de crescimento da atividade no terceiro trimestre de 2026.
Alexandre Maluf, economista da XP Investimentos, também vê um quadro disseminado de perda de fôlego. Segundo ele, a abertura setorial do IBC-Br de junho apontou para uma perda de dinamismo disseminada, com destaque para o fôlego menor nos serviços, setor que responde pela maior parte do índice. Maluf ressalta que a agropecuária foi o único componente a subir no mês, estendendo a sequência de ganhos trimestrais, em linha com a interpretação de que a desaceleração é gradual ao longo de 2026. No PicPay, o economista Matheus Pizzani afirma que a retração do indicador reforça a leitura de perda de tração da economia e pode sugerir que o BC ajuste seu discurso sobre o ritmo de crescimento da atividade. “Embora a indústria tenha sentido de forma mais direta essas restrições, os serviços também começam a dar sinais de arrefecimento, ainda que esse movimento costume aparecer de forma mais lenta no setor.”
Fonte: O Estado de São Paulo – 18/08/2026 – B8
