Banco Central reduz Selic a 14% e deixa próximos passos em aberto

Banco Central reduz Selic a 14% e deixa próximos passos em aberto

Colegiado disse que o tamanho total do ciclo de “calibragem” da taxa será definido “à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta”.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu ontem reduzir a Selic em 0,25 ponto porcentual, de 14,25% para 14% ao ano. A decisão foi unânime e ficou em linha com a expectativa do mercado financeiro.

Em comunicado divulgado após sua reunião, o colegiado não antecipou seus próximos passos e voltou a dizer que o tamanho total do ciclo de “calibragem” da taxa básica de juros será estabelecido “à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta”.

“O cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário-base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária. O comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, diz o texto.

Ainda assim, o entendimento de alguns economistas foi de que o Copom deixou a porta aberta para mais um corte de 0,25 ponto, possivelmente na reunião de setembro. “Esperaremos

Novo comunicado adotou tom mais curto e neutro, diferentemente do que aconteceu em junho

a ata para termos maior clareza sobre o que foi discutido e melhor balizarmos nosso cenário. Mas, a princípio, acreditamos que o BC deverá cortar mais uma vez a taxa básica em 0,25 ponto”, escreveu em nota o economistachefe da MAG Investimentos, Felipe Oliveira. Já o Santander afirmou que “o ciclo permanece vivo”, embora “avançando ‘checkpoint by checkpoint’”. Citi e PicPay também defenderam a mesma avaliação.

Foi o quarto corte consecutivo. Os juros já caíram um ponto porcentual desde março, quando o BC começou o ajuste da política monetária, em meio às incertezas sobre os impactos da guerra no Oriente Médio sobre a cadeia global de suprimentos, os preços de commodities e a própria inflação. Antes, o Copom havia mantido a Selic em 15% – o maior nível em quase duas décadas – por dez meses seguidos, de junho de 2025 até março de 2026.

Desta vez, o comunicado divulgado pelo Copom veio mais enxuto, depois que a justificativa dada para o corte da Selic em junho causou ruídos no mercado. O texto teve, por exemplo, nove parágrafos – três a menos do que os 12 do de junho.

Naquele mês, o Copom foi duramente criticado pelo mercado ao incluir no comunicado um parágrafo que falava em “trajetórias alternativas” para a inflação e os juros. “O Copom de agosto corrige o ruído na comunicação de junho”, disse o superintendente de Pesquisas Econômicas do Itaú, Fernando Gonçalves.

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