Pressão de empresas dos dois países pode elevar exceções, dizem analistas

Pressão de empresas dos dois países pode elevar exceções, dizem analistas

Cálculos de consultoria apontam que 21% das exportações ficariam diretamente expostas ao novo pacote de taxas dos EUA

Embora o cenário político tenha elevado a incerteza sobre as negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, especialistas ainda veem espaço para um desfecho menos severo do que o inicialmente anunciado pelo presidente Donald Trump. A avaliação é de que a pressão de empresas dos dois países pode ampliar a lista de produtos isentos ou reduzir a tarifa efetiva, amenizando os efeitos sobre as exportações brasileiras e os mercados financeiros.

“São relações ainda difusas e difíceis de prever”, afirma o pesquisador associado do FGV Ibre e sócio da BRCG Consultoria, Lívio Ribeiro. Ainda assim, ele acredita que as negociações em curso podem resultar na ampliação das isenções. “No fim, a expectativa é de uma negociação que retire tantos produtos da lista que, na prática, a alíquota efetiva fique muito abaixo da taxa originalmente anunciada”, resume.

A diretora da LCA Consultoria

Econômica, Verônica Cardoso, também espera um desfecho mais favorável, seja com a inclusão de mais produtos entre as exceções, seja com a redução da tarifa. Segundo ela, a audiência pública e as demais rodadas de negociação tendem a intensificar a pressão de exportadores brasileiros e de empresas americanas, que poderão alegar dificuldade para substituir fornecedores. “A economia americana também tem interesse em não nos tarifar”, afirma.

Nos cálculos da LCA, o impacto agregado das novas tarifas já seria menor do que o inicialmente esperado. Hoje, cerca de 54% da pauta exportadora brasileira estaria contemplada por isenções, enquanto outros 25% permanecem sujeitos às tarifas da

“A expectativa é de retirada de tantos produtos que a alíquota efetiva fique muito abaixo da anunciada”

Lívio Ribeiro BRCG Consultoria

“A economia americana também tem interesse em não nos tarifar”

Verônica Cardoso LCA Associados

Seção 232, em vigor desde o ano passado. Assim, aproximadamente 21% das exportações ficariam diretamente expostas ao novo pacote.

EFEITO NOS MERCADOS. Os reflexos sobre os mercados financeiros ainda são incertos. Embora o impacto do primeiro tarifaço tenha sido limitado, um novo aumento das tarifas pode tornar o câmbio mais sensível. Segundo Verônica, o real tende a se desvalorizar caso a medida reduza o ingresso de dólares no País. “No entanto, se a queda das exportações para os Estados Unidos for compensada por vendas a outros mercados, o fluxo de dólares permanecerá praticamente o mesmo, neutralizando esse efeito”, afirma.

O impacto sobre a curva de juros dependerá da percepção dos investidores em relação ao alcance do risco. “Se as empresas mais afetadas tiverem forte dependência do mercado americano, os investidores poderão atribuir um prêmio de risco maior a esses setores, dificultando novos investimentos. Se o mercado entender que o choque é pontual, as chances de contaminação do risco Brasil como um todo serão menores”, diz Verônica.

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