Brasil vê como mais provável taxa de 25% dos EUA a produtos nacionais

Brasil vê como mais provável taxa de 25% dos EUA a produtos nacionais

Decisão do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos deve sair amanhã e negociadores ainda tentam ampliar lista de produtos isentos de tarifas

Participantes das negociações avaliam que tarifa deve ser imposta. Amanhã é o prazo final para a decisão dos EUA.

Às vésperas do anúncio da decisão dos Estados Unidos sobre a aplicação de uma tarifa de 25% aos produtos brasileiros, governo e representantes do setor produtivo ainda apostam em roteiro similar ao adotado no ano passado: negociações que miram a ampliação da lista de itens isentos, redução ou reversão da alíquota. Nos bastidores, porém, pessoas envolvidas com o tema avaliaram ao Estadão/Broadcast que o cenário considerado como mais provável amanhã, prazo final para a decisão do governo americano, é o de incidência integral da tarifa, com a possibilidade de alguns itens a mais na lista de exceções.

A proposta apresentada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) se baseia em investigações conduzidas pela Seção 301, instrumento adotado pelo governo americano para avaliar e, se for o caso, aplicar sanções comerciais a países acusados de práticas que podem ser prejudiciais aos interesses das empresas americanas.

O risco é de que, diferentemente das tarifas impostas no ano passado, a Seção 301 dá um respaldo jurídico mais forte aos EUA. Ou seja, punições baseadas nela têm menor chance de reversão, sendo mais uma ofensiva – com grande teor político – na estratégia comercial de Donald Trump.

No caso do Brasil, a investigação dos EUA menciona temas de supostas práticas comerciais desleais; proteção da propriedade intelectual; ferramentas de pagamento eletrônico, citando o Pix; deficiências no combate à corrupção e entraves para o mercado de etanol.

O presidente da Câmara Americana para Comércio do Brasil (Amcham Brasil), Abrão Neto, considera que ainda há “uma distância grande” a ser percorrida para um acordo entre os dois lados e que o cenário permanece indefinido. “O cenário ainda está em aberto e não é simples”, diz ele, defendendo a continuidade das negociações entre os países.

Se houver a aplicação da tarifa cheia, segundo ele, o País terá um dos tratamentos mais restritivos para o acesso ao mercado americano. “Há a recomendação da tarifa de 25% e 12,5% sob a alegação do trabalho forçado. A alíquota pode chegar a 37,5%. O Brasil ficaria isolado em relação a outros parceiros comerciais dos EUA.”

Apesar da expectativa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, em visita ao o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), em São José dos Campos (SP), que “não vai ter tarifaço”, sem dar mais detalhes.

Pior cenário A tarifa cheia de 37,5% colocaria o País em uma situação muito restritiva para o mercado dos EUA.

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