Frente critica debate ‘às pressas’ da escala 6×1
Frentes Parlamentares do setor produtivo querem evitar que a proposta de redução da jornada de trabalho, batizada de fim da escala 6×1, em tramitação na Câmara dos Deputados, seja tratada “às pressas” antes das eleições. A Coalizão das Frentes defende que o debate seja pela ótica da modernização da jornada de trabalho e critica prazos apresentados para tramitação do projeto na Casa.
A ofensiva teve início ontem em reunião com parlamentares e mais de 50 entidades empresariais, incluindo confederações de agricultura, indústria, comércio e transportes. Aos parlamentares, o setor produtivo defendeu a redução da jornada com período de transição, que diz respeito às horas trabalhadas por semana, e não apenas à redução dos dias trabalhados.
Para as bancadas, há viés eleitoreiro na proposta apoiada pelo governo e o tema exige debate em “profundidade”. “Não somos contra o fim da 6×1 nem contra a redução. Queremos apenas um debate correto sem mote eleitoral”, disse o presidente da Frente Parlamentar Mista do Empreendedorismo (FPE), deputado federal Joaquim Passarinho (PL-PA).
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) defende que o tema seja pautado pela modernização da jornada de trabalho. Presidente da frente, deputado federal Pedro Lupion (Republicanos-PR) afirma que há incapacidade do mercado de se adaptar rapidamente a uma redução da jornada, ao mesmo tempo que há preocupação com escassez de mão de obra qualificada. “As realidades regionais são distintas. Não é questão de querer trabalhar menos ou mais, é questão de modernização da jornada e da capacidade do trabalho de se desenvolver e ter mais ganhos e qualidade de vida.”
As bancadas argumentam que a solução não pode ser única a todos setores. “Sem produtividade e competitividade, essa discussão fica vazia e não se sustenta”, observou o presidente da Frente Parlamentar pelo Brasil Competitivo, deputado federal Julio Lopes (PP-RJ).
“Não queremos transferir ônus da decisão para parlamentares e cobrar a responsabilidade do Congresso. Entendemos a delicadeza de ser ano eleitoral, mas queremos construir caminhos juntos para que a discussão seja transparente e efetiva e não à luz de ano eleitoral”, afirmou o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban.
Ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu uma mudança na jornada de trabalho para garantir mais “comodidade” e “prazer” aos trabalhadores. “O que nós estamos tentando é construir um conjunto de propostas que interessa a empresários e a trabalhadores, que interessa ao País, para dar mais comodidade nesse mundo nervoso, para que as pessoas tenham mais tempo de estudar, de ficar com a família, de descansar”, disse o presidente em participação na sessão solene de abertura da 2.ª Conferência Nacional do Trabalho (CNT), em São Paulo. “Os empresários sempre têm um jeito de escapar. Quem não consegue escapar é a pessoa que recebe o holerite no final do mês”, afirmou.
Setor defendeu redução de jornada com período de transição, com respeito a horas trabalhadas
MANIFESTO. Um manifesto assinado por 93 entidades do setor produtivo, intitulado Manifesto pela Modernização da Jornada de Trabalho no Brasil divulgado ontem defende que a preservação do emprego formal, a mitigação de incentivos à informalidade e a diferenciação por setor sejam premissas da discussão. O documento é avalizado por entidades como Confederação Nacional da Indústria (CNI), Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e Confederação Nacional do Transporte (CNT).
Fonte: O Estado de São Paulo – B16 – 04/03/2026
