Projeto do governo que mexe em jornada deve sair até amanhã
O governo deve enviar até amanhã ao Congresso projeto de lei que prevê o fim da jornada de trabalho 6×1 (em que o funcionário trabalha seis dias na semana e tem um dia de descanso), apurou o Estadão/Broadcast. O principal motivo para esse “timing” é que as centrais sindicais estão programando para amanhã, em Brasília, um ato pela mudança da jornada.
Assim, segundo pessoas ouvidas pela reportagem, o envio do projeto de lei deve ser usado no ato como uma forma de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manter capital político com os representantes dos sindicatos, em pleno ano eleitoral.
A mudança é criticada por representantes da indústria, do comércio e da agricultura, que veem risco de aumento de custos para as empresas. Agências de classificação de rating também falam em queda do lucro operacional, especialmente no varejo ( mais informações nesta página).
As centrais sindicais realizarão um evento intitulado Marcha da Classe Trabalhadora, que terá concentração em frente ao Teatro Nacional, na capital federal. Na sequência, eles prometem seguir a pé pela Esplanada dos Ministérios e, no fim do percurso, entregar a Lula e aos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), uma série de reivindicações. A redução da jornada de trabalho, o combate à chamada pejotização e ao feminicídio estão entre os principais pedidos.
Motta já afirmou que, a despeito da proposta do governo, não deve alterar o andamento de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do mesmo tema e já tramita na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa desde o ano passado.
‘DECISÃO TOMADA’. Lula falou ontem sobre o tema logo após participar de cerimônia, no Palácio do Planalto, sobre decreto que reduz a jornada de trabalho de servidores terceirizados. Questionado por jornalistas se enviaria o projeto nesta semana, Lula respondeu: “Vou”. Segundo o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos, “a decisão já está tomada” pelo presidente.
Já o vice-presidente Geraldo Alckmin disse que a redução da jornada de trabalho precisa levar em conta especificidades. Ele participou, em São Paulo, de encontro com líderes sindicais. “Não é tudo igual”, afirmou ele. “Então, se analisam as especificidades.”
Ainda assim, ele defendeu a proposta, com o argumento de que, com a mecanização de processos e a produtividade trazida pela adoção da inteligência artificial, a redução das
Além da proposta do governo, Câmara já discute PEC que termina com escala 6×1
horas trabalhadas se tornou uma tendência mundial. “É uma luta correta que o mundo inteiro está fazendo e que o presidente Lula tem compromisso com a questão da jornada do trabalho.”
FONTE: O Estado de São Paulo – 14/04/2026 – B19
