China mira investimentos em tecnologia e indústria no Brasil

China mira investimentos em tecnologia e indústria no Brasil

Empresários chineses têm visitado o Brasil para ampliar a relação entre os dois países, ainda baseada na exportação brasileira de commodities, para os setores da indústria e de tecnologia.

Entre os dias 21 e 25 de setembro, uma comitiva de oito representantes de empresas e instituições de ensino da China visitou o Rio Grande do Sul para conhecer empresas, universidades e projetos nacionais. O objetivo da delegação era aproximar os laços com o Brasil, visando o desenvolvimento de parcerias e investimentos de longo prazo entre os dois países.

O Estadão acompanhou quatro dos cinco dias desta interação a convite da Invest RS, agência de promoção de investimentos e desenvolvimento econômico do Estado gaúcho. Os encontros ilustram uma nova etapa de uma relação comercial que se consolidou nas últimas décadas, inicialmente baseada na exportação brasileira de commodities e, agora, ampliada para investimentos em indústria e tecnologia.

“A China e o Brasil têm muitas coisas em comum. Nós temos um país grande, temos muitos recursos. Vocês, assim como nós, têm energia, agricultura e muitas pessoas”, diz Herbert Hong Bo Chen, vicepresidente executivo da Tus Holdings, grupo chinês de investimento, inovação tecnológica e desenvolvimento de parques científicos.

Ligada historicamente à Universidade Tsinghua, em Pequim, a Tus Holdings atua em áreas como investimentos, incubação de startups e desenvolvimento de parques tecnológicos. “Durante esse tempo, recebi muitas delegações do Brasil. Eles vêm até nós quase todos os anos. Mas a cooperação sempre acontece em via de mão dupla, também podemos aprender muito”, diz o executivo da companhia.

A relação comercial entre Brasil e China está passando por uma significativa transformação que vai além das tradicionais exportações agrícolas e de minerais. Enquanto empresas chinesas ampliam sua presença produtiva e tecnológica no Brasil, instituições brasileiras buscam capital, conhecimento e acesso ao mercado chinês.

RELAÇÃO BILIONÁRIA. O Brasil e a China movimentaram US$ 128,6 bilhões em comércio nos primeiros oito meses de 2026, alta de 12,7% em relação ao mesmo período de 2025. A China representa 30,7% de tudo o que o Brasil exportou no período. A pauta, porém, ainda está concentrada em apenas três produtos: soja, petróleo e minério de ferro.

Segundo levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), o investimento chinês no Brasil chegará a US$ 6,1 bilhões em 2025, uma alta de 45% em relação a 2024. A entidade diz que o Brasil foi o país que mais recebeu investimentos da China no último ano. •

Concentração A China absorve 30,7% das exportações do Brasil, mas pauta se limita a soja, minério de ferro e petróleo.

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