UE limitará importações de carros híbridos chineses
Emmanuel Macron, o presidente da França, disse que a medida irá ‘proteger o mercado europeu contra a concorrência desleal’
A União Europeia limitará a 350 mil por ano a entrada de veículos híbridos provenientes da China, no âmbito de um acordo firmado entre Pequim e Bruxelas, anunciou ontem uma autoridade europeia. A questão dos veículos híbridos é uma das mais delicadas nas relações entre a UE e a China.
Esses veículos se tornaram uma das principais portas de entrada dos fabricantes chineses no mercado europeu, onde competem acirradamente com as marcas locais e alimentam a preocupação com o emprego no setor automotivo da UE.
Após dois dias de intensas negociações em Pequim na semana passada, o comissário europeu de Comércio, Maros Sefcovic, anunciou na sexta-feira que a China havia aceitado moderar o fluxo de veículos híbridos e híbridos plug-in que entram no mercado europeu. Segundo uma autoridade europeia, o acordo reduzirá em mais de 50% as exportações chinesas de veículos híbridos para a UE.
“É o resultado de um trabalho de vários anos, com o qual buscamos restabelecer uma concorrência justa e leal entre europeus e não europeus”, comentou o presidente francês Emmanuel Macron ao inaugurar, em Paris, a 91.ª edição do Salão Mundial do Automóvel. Segundo Macron, a medida permitirá “proteger melhor o mercado europeu contra a concorrência desleal”.
Há anos, a UE acusa a China de inundar seu mercado com produtos mais baratos graças a práticas comerciais desleais, como subsídios estatais e restrições ao acesso de empresas europeias ao mercado chinês. Pequim rejeita essas acusações e atribui o sucesso de suas exportações à competitividade de sua indústria.
AVANÇO. Um dos exemplos dessa competitividade vem da BYD. A principal fabricante de veículos elétricos da China pretende abrir tantos pontos de venda na Alemanha para que ninguém precise viajar mais de 20 minutos para comprar um de seus carros. Uma de suas rivais chinesas, a Xiaomi, vê a Alemanha como a base de seus planos de expansão na Europa, após vender 700 mil carros em seu mercado doméstico.
A Alemanha é o berço do automóvel e a sede da Volkswagen, da BMW e da Mercedes-Benz. Atualmente, o país também é um destino importante para empresas chinesas que vendem carros com descontos consideráveis em relação aos veículos europeus.
“Os clientes não se importam se é um carro chinês ou um carro alemão”, disse Ferdinand Dudenhöffer, analista automotivo alemão e ex-executivo da Porsche e de outras empresas. O que realmente importa para eles, afirmou, é o preço.
Impedidas de entrar nos Estados Unidos devido a tarifas, as montadoras chinesas concentraram-se em outros mercados internacionais – e a Europa é um alvo prioritário. Marcas chinesas de baixo custo estão atraindo clientes em todo o continente, à medida que a alta nos preços da gasolina impulsiona o interesse por veículos eletrificados.
Os carros chineses representam cerca de um em cada dez carros vendidos na Europa, um aumento em relação à proporção de um em cem registrada há cinco anos. As marcas chinesas estão ganhando terreno rapidamente frente a líderes como a Volkswagen. As vendas da BYD na Europa mais do que dobraram este ano.
As vendas da Chery cresceram ainda mais rápido. O modelo Jaecoo 7 da empresa – apelidado de “Temu Range Rover” em referência ao aplicativo chinês de compras de baixo custo – foi o veículo mais vendido no Reino Unido em setembro.
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