Participação dos EUA no comércio exterior do Brasil cai ao menor nível

Participação dos EUA no comércio exterior do Brasil cai ao menor nível

Amcham Brasil mostra que volume de transações entre os países, em um ano, caiu 12,8% até o primeiro semestre.

Num momento em que o governo Trump ameaça impor nova tarifa sobre produtos brasileiros, a participação dos Estados Unidos no comércio exterior brasileiro atingiu no primeiro semestre deste ano seu menor patamar histórico. É o que mostra uma pesquisa da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), que considerou dados compilados desde o primeiro semestre de 1997.

Nos seis primeiros meses deste ano, os EUA responderam por 9,4% das exportações brasileiras e por 11,1% na corrente global de comércio (exportações e importações somadas) do País. Para efeito de comparação, essa participação estava em 12,1% (no caso das exportações) e 13,8% (corrente de comércio) no primeiro semestre de 2025 – antes da entrada em vigor do primeiro tarifaço.

Pela pesquisa, o comércio entre os dois países somou US$ 36,4 bilhões no primeiro semestre de 2026, uma queda de 12,8% em relação ao mesmo período do ano passado. As exportações brasileiras para o mercado americano no período recuaram 13%, para US$ 17,4 bilhões, enquanto as importações caíram 12,5%, totalizando US$ 19 bilhões.

O desempenho contrasta com o crescimento das exportações brasileiras para o mundo (11,5%) e para parceiros relevantes, como China (21,9%) e União Europeia (12,8%), desde o início do ano. Ainda assim, os EUA permanecem como o segundo principal parceiro comercial do Brasil em bens (a China está em primeiro lugar) e maior destino das exportações industriais.

A Amcham destacou que os bens submetidos às sobretaxas do governo Trump responderam pela maior parte da retração das exportações brasileiras no período. Enquanto as vendas de produtos sobretaxados caíram 16,6%, as exportações de bens sem sobretaxa recuaram 8,7%.

“O primeiro semestre confirma que o comércio bilateral atravessa um período de forte pressão e reforça a necessidade de um acordo que evite a aplicação de novas tarifas no âmbito da investigação da Seção 301”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, em referência a capítulo da lei de comércio dos EUA que embasa a proposta de nova taxação.

Os EUA acusam o Brasil de adotar práticas ilegais em comércio digital, serviços de pagamento eletrônico (como o Pix), tarifas preferenciais, proteção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais, como o desmatamento ilegal.

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