Brasil perde posições e fica entre os últimos em ranking global
O Brasil voltou a perder espaço no Ranking Mundial de Competitividade e caiu sete posições neste ano em relação a 2025 – do 58.º lugar despencou para o 65.º entre 70 nações avaliadas pelo Institute for Management Development (IMD), em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC).
Embora o País tenha apresentado bom desempenho em indicadores como atração de investimento estrangeiro, geração de empregos, empreendedorismo e produção de energia renovável, os resultados mostram que a economia brasileira não conseguiu avançar nas áreas consideradas fundamentais para a competitividade de uma nação.
O Brasil retrocedeu na educação primária e secundária, na produtividade da força de trabalho, na qualificação profissional e no custo de capital.
Na avaliação do diretor do Núcleo de Inovação, IA e Tecnologias Digitais da Fundação Dom Cabral, Hugo Tadeu, o Brasil não está conseguindo equilibrar esses quatro elementos. “O País tem uma agenda significativa para a educação básica e secundária. Há muita coisa para ser desenvolvida. Ainda não conseguimos fazer a transferência do conhecimento para a economia na velocidade necessária”, avalia.
PRODUTIVIDADE TOTAL. Em relação aos baixos níveis de produtividade, Tadeu alerta para o fato de que a lacuna não deve ser entendida apenas como a capacidade de produzir mais com menos recursos. O conceito envolve a Produtividade Total dos Fatores (PTF), que mede a eficiência com que uma economia alcança capital, tecnologia, inovação e qualificação profissional para gerar riqueza.
Deficiências Resultados mostram que o País não consegue avançar em áreas fundamentais, como a educação
Assim, o Brasil ainda enfrenta dificuldades para transformar investimentos e conhecimento em ganhos de produtividade, uma das razões por trás do baixo desempenho em indicadores de educação, qualificação da mão de obra e competitividade empresarial.
No quesito eficiência dos negócios, por exemplo, o Brasil recuou 11 posições, já em performance econômica caiu seis posições. O País ainda figura na última posição mundial nos quesitos educação primária e secundária, habilidades linguísticas, habilidades financeiras e produtividade da força de trabalho.
O quesito capital também é um dos fatores que explicam o desempenho ruim do País. O levantamento aponta que o Brasil ocupa o último lugar no indicador de débito corporativo. Para o diretor da Fundação Dom Cabral, porém, os juros elevados são um sintoma, mas não a causa desse péssimo desempenho. “Temos um ambiente jurídico confuso, incertezas regulatórias e um custo alto para fazer negócios no Brasil”, afirma.
Neste ano, a inadimplência empresarial atingiu um novo recorde, com 9 milhões de CNPJs negativados. Segundo dados da Serasa Experian, o número de empresas inadimplentes aumentou em 1,5 milhão em relação ao mesmo período de 2025. É o maior nível da série histórica iniciada em janeiro de 2016, conforme mostrou o Estadão/Broadcast.
Embora exista disponibilidade de recursos na economia, uma fatia considerável é direcionada para o financiamento do setor público, enquanto as empresas enfrentam elevados níveis de endividamento e custos financeiros, avalia Hugo Tadeu. “O Brasil tem muito dinheiro, mas está sendo canalizado para o governo. Na perspectiva das empresas, o endividamento corporativo está muito alto”, diz.
GASTO PÚBLICO. O Brasil ainda apresentou enorme fragilidade em eficiência governamental, ficando na última posição global. Esse resultado, avalia Hugo Tadeu, é reflexo da má qualidade do gasto público no País. “A questão não é apenas quanto se gasta, mas como se gasta. Quando o custo do dinheiro aumenta, sobra menos espaço para investimentos em saúde, educação e bem-estar, que são as áreas nas quais os países mais competitivos continuam investindo”, diz.
Entre os pontos fortes do País, houve melhora na capacidade de atrair investimentos, geração de empregos, empreendedorismo e sustentabilidade. No entanto, o ambiente jurídico “confuso”, a insegurança regulatória e as incertezas econômicas impedem um avanço maior da competitividade brasileira.
“Não é uma terra arrasada. Estamos falando de um país gigantesco, com oportunidades relevantes em energias limpas e diversos setores, como o siderúrgico, que operam em padrão internacional”, ressalva o especialista.
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