Itália sinaliza apoio e União Europeia avança para assinar acordo com o Mercosul

Itália sinaliza apoio e União Europeia avança para assinar acordo com o Mercosul

Giorgia Meloni elogiou proposta da Comissão Europeia de oferecer 45 bilhões de euros adiantados aos agricultores europeus e deve votar pela aprovação do tratado

União Europeia (UE) ofereceu nesta terça-feira, 6, um incentivo aos agricultores que pode concretizar o acordo comercial do bloco europeu com o Mercosul – formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

A parceria, que prevê o envio de produtos como carne, arroz e soja sul-americanos à Europa, em troca de veículos, maquinário, chocolates e vinhos europeus para o Mercosul, esteve perto de ser fechada em dezembro de 2025, mas emperrou por conta da não adesão de países como a Itália e a França.

Membros dos sindicatos agrícolas Confédération Rurale (CR) e Confédération paysanne enchem carrinhos de compras com produtos importados durante uma ação para denunciar a entrada de mercadorias estrangeiras em um supermercado em Carcassonne, no sul da França, em 30 de dezembro de 2025. Foto: Idriss Bigou-Gilles / AFP

 

No entanto, uma carta assinada pela presidente da UE, Ursula von der Leyen, oferecendo um acesso antecipado de cerca de 45 bilhões de euros aos agricultores locais, agradou a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni.

“É um passo adiante positivo e importante nas negociações que conduzirão ao novo orçamento da União Europeia”, afirmou a chefe de governo italiano.

A reação de Meloni vem sendo interpretada como possível voto favorável ao acordo. Uma fonte da União Europeia afirmou à agência de notícias Reuters que a Itália votará pela assinatura acordo comercial entre os blocos.

Se o aval italiano for confirmado, haverá voto suficiente para o tratado ser selado. Para barrar o projeto, no mínimo quatro países representantes de pelo menos 35% da população europeia precisam votar contra o texto final.

 

Polônia, França, Irlanda e Áustria se mostraram contra o acordo desde o ano passado, mas não cumprem sozinhos os requisitos mínimos para rejeitá-lo. A Itália, no entanto, se somou a esse grupo em dezembro também passou a se mostrar contrária à proposta, inviabilizando a concretização do tratado no mês passado.

As resistências desses países estão relacionadas às pressões de agricultores por maiores garantias de que não serão prejudicados com o acordo. A categoria teme o impacto de uma chegada massiva aos continentes de produtos sul-americanos considerados mais competitivos devido às suas normas de produção.

Mais de 20 anos de negociações

Com os avanços, a assinatura está prevista para 12 de janeiro. No entanto, segundo Von der Leyen, é necessário primeiro o aval dos Estados-membros, que votarão o tema na sexta-feira, 9.

Na última segunda, 5, a porta-voz-chefe da União Europeia (UE), Paula Pinho, já havia mencionado um progresso nas discussões sobre o acordo com o Mercosul durante coletiva de imprensa em Bruxelas, na Bélgica. Ela não chegou a confirmar a assinatura no próximo dia 12, mas declarou que a UE está “no caminho certo” para selar o acordo comercial “em breve”.

Em negociações há mais de 20 anos, o acordo comercial UE-Mercosul tinha previsão de ser assinado no último 20 de dezembro, mas não foi concluído por conta da adesão da Itália, conforme explicado.

O adiamento da parceria entre os blocos frustrou as expectativas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um dos principais defensores do tratado. Na ocasião, em carta enviada ao presidente brasileiro, Ursula Von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, reafirmaram o compromisso de concluir a assinatura do acordo em janeiro.