Ciclo do consumo chega ao fim
A economia brasileira está desacelerando. A taxa acumulada do PIB em 12 meses, a melhor para se observar a tendência de crescimento, vem perdendo fôlego trimestre após trimestre. O que os números mostram é que o ciclo de crescimento sustentado pelo consumo está chegando ao fim. Governo, famílias e empresas estão fortemente endividados, enquanto as taxas de poupança e de investimento seguem em patamares extremamente baixos, sem capacidade de gerar um novo ciclo sustentado de crescimento.
A desaceleração já era esperada pelos economistas, e a alta do PIB de 0,5% no segundo trimestre em relação ao primeiro veio dentro das projeções. Esse resultado foi fortemente impulsionado pela agropecuária, que subiu 2,8%, enquanto a indústria de transformação teve o terceiro trimestre consecutivo ruim. O consumo do governo também sustentou esse pequeno crescimento, ao lado dos investimentos.
Com a inflação ainda rondando o teto da meta, o Banco Central tem cortado a Selic a conta-gotas. O patamar de juros de 14% ao ano é bastante alto, e isso tem inibido o investimento privado e o consumo das famílias. Esse é um dos grandes nós que precisarão ser desatados pelo governo eleito em outubro.
Esses números também mostram que as projeções de receitas feitas pela própria equipe econômica no Orçamento de 2027 já nasceram irrealistas, porque dependem de um PIB de 2,4% no ano que vem. Ou seja, a promessa de entregar um superávit primário de R$ 18,6 bilhões continua um desejo distante.
O risco, na verdade, é o contrário, de que a economia seja forçada a passar por um ajuste, e até uma pequena recessão, caso o governo eleito não apresente um plano crível de ajuste fiscal. Por ora, há pouco debate sobre isso na campanha eleitoral, com um vazio de ideias entre os principais candidatos.
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