A importância do grau de investimento
O Brasil recebeu cerca de R$ 21 bilhões em investimento estrangeiro este mês no mercado acionário (em valores de sexta- feira passada, enquanto escrevo este texto). Os efeitos são a significativa valorização do índice da B3 e a valorização do real em relação ao dólar. Trata-se de um movimento internacional, pelo qual investidores tem preferido direcionar recursos para países emergentes em vez de aplicar nos Estados Unidos.
Esse fenômeno poderia ser maior e mais frequente se fossem feitos ajustes na política fiscal e o Brasil recuperasse a classificação de país com grau de investimento. O Brasil é um destino óbvio quando investidores buscam diversificação em mercados emergentes. Não tem problemas graves como conflitos internos ou externos, tem grande mercado consumidor, juros altos para os padrões internacionais e um câmbio desvalorizado, que torna as ações das empresas relativamente baratas.
O que falta ao Brasil para aproveitar mais essa maré favorável de dinheiro novo é o grau de investimento. O País teve esse selo, dado pelas agências de risco internacionais, entre 2008 e 2015. Perdeu a condição por uma política de aceleração do gasto público, que levou ao desequilíbrio nas suas contas.
Atualmente, o Brasil está a dois degraus do grau de investimento pelos critérios de
Uma política fiscal mais rigorosa ajudaria na queda dos juros, na alta do PIB e no controle da dívida
duas agências (Fitch e Standard & Poor’s) e a um em outra (Moody’s). Se ainda fosse um país com investment grade, receberia um a por t e maior, pois a condição é exigência de muitos grandes fundos para alocar recursos.
Retomar o grau de investimento exige mudanças. A principal é um ajuste nas contas públicas, com uma política consistente de redução das despesas, capaz de levar à mudança na trajetória de crescimento da dívida pública. A dívida está em 79% do PIB, nível considerado alto para um país emergente como o Brasil.
Não ajuda também a prática do governo e do Congresso de excluírem despesas dos limites estabelecidos pelo arcabouço fiscal. Serão R$ 170 bilhões entre 2025 e 2026. A mensagem para a máquina pública e para o mercado é que a regra fiscal não é para valer. E, se a regra não limita o gasto, o efeito direto é o aumento da dívida pública.
Uma política fiscal mais rigorosa ajudaria o País. Possibilitaria a queda dos juros, que levaria a maior crescimento do PIB e controle da dívida pública. Em última instância, poderia levar o País de volta ao grau de investimento e torná-lo mais atrativo aos investidores de forma permanente – não apenas quando há uma turbulência nos Estados Unidos.
FONTE: O Estado de São Paulo – B3 – 02/02/2026
