Apesar de incertezas, CEOs veem expansão maior do PIB em 2026
Sondagem anual da PwC mostra que o Brasil segue fora dos principais destinos de investimentos
“O Brasil já teve uma posição muito mais privilegiada no passado. Já chegou a estar entre as três primeiras economias como destino de investimento. Mas agora há uma redistribuição global que acontece nos investimentos, há novos destinos, resultado da complexidade geopolítica que temos hoje”
Marco Castro
CEO da PWC no Brasil
Os executivos globais e brasileiros estão menos otimistas com o desempenho da receita dos seus negócios em 2026 do que em anos anteriores, revela a 29.ª Global CEO Survey, pesquisa realizada anualmente pela PwC e que foi divulgada ontem.
O levantamento também mostra que o Brasil segue fora da lista dos principais destinos de investimento das companhias, apesar de ter sido mais mencionado, e revela uma força maior dos Estados Unidos, mesmo com as incertezas provocadas pela gestão de Donald Trump.
Segundo a pesquisa, 30% dos CEOs globais estão extremamente confiantes e muito confiantes num aumento da receita dos negócios em 12 meses. No Brasil, essa fatia é de 38%. Os números são menores do que o apurado na pesquisa do ano passado, quando eram de 38% e 50%, respectivamente.
“Globalmente, tem o tema geopolítico, tem toda a tensão trazida pela marca da nova liderança nos Estados Unidos”, afirma Marco Castro, CEO da PwC Brasil. “Ela desafiou uma série de modelos que estavam estabelecidos no passado, mas que hoje não são mais uma referência do que vem pela frente, desde as tarifas e também as relações diplomáticas e a erosão da presença dos organismos e mecanismos multilaterais.”
“E, sobre o Brasil, a gente pode adicionar os próprios temas locais. É um ano de eleição federal e sempre há uma incerteza muito grande”, acrescenta Castro.
Embora menos confiantes em relação às receitas dos seus negócios, o levantamento mostrou que os executivos consultados estão mais otimistas com o desempenho da economia global. Nesta edição de 2026, 61% disseram esperar uma aceleração do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) global. Em 2025, eram 58%.
MAIS OTIMISTAS. Na análise detalhada por países, os executivos mais otimistas com o desempenho da própria economia são os de Argentina, Chile e Índia. Nessas nações, os entrevistados que têm uma expectativa de aceleração da atividade é de 87%, 84% e 77%, respectivamente. O Brasil aparece na quarta posição. Entre os ouvidos pela PwC, 60% projetam uma aceleração, 19% trabalham com um cenário de estabilidade e 20% esperam uma desaceleração.
Em 2025, os analistas estimam que o PIB do Brasil deve ter crescido mais de 2% – o dado final será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em março. Para este ano, por ora, a expectativa é de uma leve desaceleração, no entanto. O relatório Focus aponta para uma alta de 1,8% no PIB este ano.
No outro extremo, segundo o levantamento da PwC, os executivos de Alemanha, Canadá e França são os mais pessimistas com o desempenho das suas atividades econômicas.
INVESTIMENTOS. Pelo terceiro ano consecutivo, o Brasil ficou fora da lista dos dez locais citados com os principais destinos de investimento neste ano. O País foi mencionado por 6% – acima dos 4% de 2025 – e apareceu na 13.ª colocação.
Apesar das incertezas provocadas pela administração Trump, os EUA seguem no topo e ampliaram a quantidade de menções – foram citados por 35% dos entrevistados, mais do que os 30% de 2025. “A situação dos EUA é um composto de coisas. No caso das tarifas, a negociação para retirada teve como contrapartida o investimento nos EUA. É um elemento importante. E tem outro importante: a economia americana é muito resiliente”, diz Castro.
Depois dos EUA, na sequência, apareceram a Alemanha (13%), a Índia (13%), o Reino Unido (13%) e a China (11%). “O Brasil já teve uma posição muito mais privilegiada no passado. Já chegou a estar entre as três primeiras economias como destino de investimento”, lembra o executivo. “E acho que agora há uma redistribuição global que acontece nos investimentos. Há destinos novos que começam a figurar nos primeiros lugares, o que é resultado da complexidade geopolítica que temos hoje.”
Apesar das incertezas em torno da gestão Trump, os EUA são o destino mais citado para investimentos
No levantamento, as principais preocupações dos executivos brasileiros são a instabilidade macroeconômica (38%), a disrupção tecnológica (31%) e a inflação (29%). A pesquisa também mostrou que 34% dos CEOs brasileiros esperam redução no nível de emprego por causa da inteligência artificial. “As empresas passarão por um desafio muito grande de redesenhar as suas carreiras, as etapas de desenvolvimento, em como formar futuras lideranças”, diz Castro. •
FONTE: O Estado de São Paulo
